Mobilidade engessada

A questão da mobilidade urbana é um problema conjuntural e que afeta em demasia o cotidiano da população da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV). A posição de centralidade de Vitória na oferta de serviços e geração de empregos, associada às limitações do seu sítio físico, faz com que a Capital seja a principal rede de transbordo nas ligações com os demais municípios. Diariamente, em horários de pico, Vitória para, assim como os acessos aos municípios vizinhos.

Ressalta-se que o transporte na região metropolitana se dá preferencialmente pelo uso de veículos automotivos, responsável por boa parte da emissão de poluentes. A RMGV contempla uma frota em torno de 679.303, sendo que 457.523 são automóveis particulares. A população da RMGV é de 1.687.704 habitantes, portanto, há um automóvel para cada 3,7 habitantes.

Observa-se que investimentos públicos previstos para eficiência do transporte não alavancaram e há descompasso na sincronização dos semáforos com um inteligente sistema de gestão dos fluxos de veículos e pedestres. Considerando que a indústria automotiva corresponde a 21 % do PIB industrial brasileiro, temos ainda o estímulo da política federal com a redução de IPI para aquisição de veículos e a contrapartida das montadoras com o aumento do prazo de financiamento. Todos esses fatores reforçam o sistema modal de transporte automotivo que tende a engessar a mobilidade urbana, o que requer quebras de paradigmas para superação do problema.

Onde estão de fato as políticas de investimentos e de sustentabilidade tão alardeadas pelo poder público e a sociedade em geral? Por que não viabilizar alternativas de transporte mais adequadas à nossa topografia plana e de costa? Por que não investir em ciclovias integradas aos terminais ou mesmo utilizar o transporte marítimo, viabilizando também nosso potencial paisagístico para uma melhor qualidade de vida? Por que não flexibilizar o uso individual do carro e propor rodízio e cooperação no transporte para o trabalho e para as escolas? Por que algumas empresas não adotam o sistema de trabalho home office, uma tendência mundial?

O problema da mobilidade urbana deve ser repensado de forma inovadora. No mundo contemporâneo, onde dispomos de redes sociais e de informação acelerada que encurtam distâncias e promovem a interação e a criatividade no plano das ideias, os avanços na questão da mobilidade urbana ainda são muito tímidos, tanto nos investimentos como nas alternativas de solução.

Foto: Isabella Muniz

Publicado em A Gazeta / Opinião em 16/07/2012 Vitória-ES

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